terça-feira, 8 de novembro de 2011

Há Lá Nada Melhori C'a Traquilidadi Do Campooo!

Chamo-mi Jervásio Micatudo. 
Sou reformado pela vidairada e nunca mexi uma palha. As mãos cedo m'incharam e a enchada se me dava comicheira e o mê falecido paiii lá me pôs, a munte custe p'ra minha pessoa, a tomar conta das ovelhas, que n'é  cá precoisaaas, mas até q'havia uma ou outra q'sabeirava mais de mim um vez por outra . . . deviem crer conversa . . . as malandras!
Aiii, bons velhooos tempooos . . . eu e as ovelhaaas . . ., as ovelhas e euuu, . . . éramooos todooos munte amigos uns dos outrooos . . . eu delaaas . . . elas de mim . . . Bons velhos tempooos! 
Passado uns tempos tive de casari e a minha Custóida disse-mi, " . . . ou elas ou euu!!! Nã tou pra ser trocada plas bezerraaas!!!"
Mas será q'a minha Todinha na entendiaaa?!?!?! É q'uma pessoa safêssoa ós bichanos e elis fazêm tanta companhia a uma pessoa nos momentos solitários do campooo e no campoo . . .
Fomos felizies 45 anos, 5 filhos e 10 netos e uma centena de ovelhaaas!!!
Nã fossem os cogumelooos . . . 
Apesar das recordaçõeees, nã a quero ver tã cedooo!!!

Há lá nada melhori c'a traquilidadi do campooo!
Nã se passa nadã, só lá se vê lá uma lesma ou um caracoli mais apressados na busca daquela gota de orvalho quase a evaporari às 7 da matina . . . eh, bicharocos desgramadooos!
A ti Getrudies lá se passa devêzenquando com a corridas dos catraios que n'á manera de sassussegarêm.
O ti Maneli nã dá conta das maganas das lagartas q'são umas gulosas plas couvies, e agente q'alanqui q'as piquenas sã exigentiiis.
Enfim, mas nada q'a gente já nã esteja habituadoos, nã éi?
Estava eu na minha pasmacêra do costumiii, à espera que a ti Jenuveva passassi pra m'alegrari as vistas.
Ai! Ai! Nã fosse elaaa avó de 8 netooos, mãe de 4 filhooos e dois falecidooos, q'ê candidatava-mi ao terceiro mandatooo . . . Assim fico-meee de fora a veri quem será o próximo defuntooo . . . 

Mas q'isto da gente cá andari tem, realmenti, munta coisa que se lhe digã. Atão nã se me apareci uma cachopa, pelo menooos parecia-se-miii com uma, vinda de dentro do q'ê chamaria um autmovli ou ,seria mesmo um autmovni, assim pla frentiii???
A bicha saca duma coisa estranha assim, parecido com um cacêtezito piquenooo, mas com uma coisa que devia ser um betanito qualqueri q'ela carregou e dspara uma antena paranôlicaaa, ou lá comé quisso chama, mas com a antena virada pra baxooo. Bem cá me quis pareceri um chapéu p'á chuva, mas nã devia seri!
Realmentie estava chuvescandooo, mas aquela balhana devia ser um daqueles aparelhometrooos, ah . .  . comé q'sechama os diachooos . . . um raidari!
A magana sai daquilo, do q'ê lhe chamooo, um autmovni, e ê fico-mi a olhari a vêri s'abufava alguma coisa da trasêra do dito, comagente vê lá na tlevisão, naqueles filmis assim do espaçooo. Mas nã s'abufou nada . . . ficou tudo na mesma, assim como euuu no meu pensari.
Mas q'andesta gentie a fazeri por estas bandas?
Vêem raptar agenti pra levari lá pró planeta delis?
Mas q'vêm esta gente pra cá fazeri???
Aquela coisa grandi com, braços e pernas e olhos grandis e uma malita, olhou pra mim e ê olhê pra ela e andeiii um bocade volta pra vê melhori, mas ela mexeu-si e ê quasi me borrê plas calças abaxo, pensando q'mia raptari cortar-miii aos pedacitos e fazer de mim uma açorda, ou pra mal dos mês pecados, plantar couvis lá prós marcianooos!!! . . . ainda q'tivessêm umas ovelhitaaas . . .
Nã q'riam mai nadã!!!
Er'o q'mai mefaltavã!!!
Qerêm lá veri?!?!?
 . . . umas ovelhitas, ainda vá lá q'nã vá . . . mas couvis!?!?
A piquena dos marcianos foi-siii!
Enfiou-siii lá numa casa e nada mais se soube dela!
Que teria acontecido? Teria apanhado algum aviãum escondido debaxo da casa, ou estava a ver s'apanhava a jêto e pimbas . . . traulitada na cabeça!?!
Nã dê por nadã! . . . a ti Getrudis destraiu-miii . . .
Passarem-se diaaas smanas, mesiiis e nêm autmovni nem coisa nhuma!
Foi uma sorti! . . . livrê-mi da enxada, da mãum inchada e do ancinho!
E com esta me ficooo com na minha vidita do campooo onde tudo spassa, ma nã spassa nadããã!
Adeuuus, até ao mê regressooo!



domingo, 25 de setembro de 2011

O aniversário, Abel e Caim

Abel e Caim ao pé de algumas famílias, dizer-se-ia que são apenas crianças com birrinhas, mas um pouco temíveis se tiverem armas de arremeço, e outras mais cortantes, nas pequeninas e frágeis mãos, embebidas do espírito de gladiadores sedentos de sangue. Nada mais contraditório, mas aproximado da realidade que assim se revelou enquanto se cantavam os parabéns ao mancebo.
O aniversário, Abel e Caim e a discórdia começou. 
Lançam-se farpas, basucadas fora de alcance, uns quantos touchdown e entra a contra-ofensiva. O momento não poderia ser melhor e mais inesquecível - o aniversário!  
O tom de entusiasmo variado, entre o desafinado, o calado, o indiferente, o feliz, durante o cantar dos parabéns demonstrava o impacto que a existência do primogénito na vida dos circundantes. Poucos, mas maus! 
As palavras escritas não descrevem a emoção fúnebre do entusiasmo com que ecoa os parabéns na sala . . . a Família Adams é mais alegre, solidária, mas cínica, em eventos como este!
Hajam esposas investidas de amor e paixão para amainar, apoiar e alegrar o companheiro perante tamanha desilusão!
Creio já ter assistido a velórios mais alegres e animados! 
Pela 1ª vez, Abel sentiu pena da situação tão desoladora no comemorar de um aniversário, e jura Abel não ter feito de propósito! . . . Nem sequer reparou que o aniversariante estava a reparar!
Há maldades que se pagam bem caras, mas desta vez Abel conseguiu sentir a mais profunda pena pelo seu ato! 
Aquele olhar de sofrimento e de desamparo desmoronou a pedraria cruel que escondia o frágil, mas magoado coração de Abel.
Caim fez Abel chorar por dentro, sem que Caim se apercebesse. Até para Abel foi duro ver Caim tão derrotado, esmorecido com tanta indiferença e tão pouco entusiasmo! 
Chegou mesmo às entranhas da alma de tão desprovida criatura da sua sensibilidade, perante aquele esmorecimento de Caim . 
As duras lutas lascam toda a macieza e candura da alma e a transformam, num piscar de olhos, na mais gélida e agonizante besta!
Abel, por momentos, transformou-se num impiedoso mortal da classe média. Quando acordou da sua hipnose desconcertante, viu o seu irmão e desejou voltar atrás no tempo, ignorar as maldades e provocações dispensáveis e cantar alegremente os parabéns, nem que fosse por um minuto. 
Mas o mal já estava feito e o primogénito na pele sentiu, sem perceber porquê, ou talvez não, toda a tristeza que infligiu ao companheiro de discórdia!
    
      

sábado, 24 de setembro de 2011

Veia Artística

Ehhh, pah! Mas c'a granda chumbadela que o pessoal que anda a dizer estas babuseiras levava, se fosse a exame de anatomia e fisiologia!!!!
Veia artística?!?!?!? 
E as safenas são o quê??? 
Mas quem foi o chico esperto que inventou esta expressão?!?!?
A julgar pela limitação geográfica da expressão e calinada na anatomia . . . era sapateiro dentista e tirou cursos por internet, num site manhoso a russar a pirataria barata . . . quem mais poderia ser que não o que inventou o verbo desenrascar? . . . Tito Tuga! . . . O próprio!
Alguém tem a hombridade de explicar a esse senhor que é Artéria Artística???
Pah, a artéria é que leva o sanguinho bom para alimentar os nossos orgãos do mais precioso alimento, para as nossas existências, a veia é a conduta do sangue consporcado de dióxido de carbono, depois das trocas gasosas, e outras porcarias que não me apetece estar a esplanar!
A artéria é que leva os gases que fazem bem, como o oxigénio limpinho e outras coisas boas que fazem bem aos nossos orgãos!
A veia é a tal que fica com varizes e que dão um granda mau aspecto nas presuntas das piquenas que querem usar uma saíta mais curtita, estilo dois dedos acima do joelho, e fica a parecer que tem escarpas montanhosas rouxas e azuladas no meio da brancura, ou não, da tez!
Aqueles desfiladeiros grossos tumescentes cheios de um conteúdo potrefacto e infeccioso nas paredes da VEIA!!! 
Ok, podem dizer que acontece o mesmo nas artérias, ok é verdade, mas a artéria é mais esperta e dá logo um colapso no orgão mais próximo para a veia não se ficar a rir!
Mas espera lá! . . . Espera lá!
Calma que se me está a ocorrer aqui que este desenrrascado afinal pode ser o verdadeiro Einstein das expressões gramaticais inspiradas na anatomia!!!
Então, por esta lógica . . . Ok, realmente o Tito Tuga . . . c'um catano! . . . Magano, já me estavas a fazer chamar-te nomes feios! . . . Afinal ele tem razão, os prodígios têm artéria artística e os outros têm veia artística!!!
Já está tudo esclarecido, mas como os prodígios são tão poucos . . . que realmente a expressão que vingou foi a veia artística, está explicado . . . e justificado!!!
Já perceberam o porquê de bués de coisas que acontecem em várias áreas do quotideano do dia-a-dia?
Mas agora eu alerto para quando a dimensão da asneirada dos resultados é realmente astronómica . . . aí suspeito de uma ligação direta do intestino e o cérebro . . . Hajam suficientes insuficientes cardíacos - já que todos "têm um Grande Coração" . . . - para aguentar estas calamidades do quotidiano.
Uma coisa é certa, é tudo uma questão de canalização e tubagens e dimensões!